#HangoutWithAPOYOnline – Beatriz Haspo

Para comemorar a nova fase do APOYOnline, representada pela mudança do logotipo, o #HangoutWithAPOYOnline deste mês será com nossa diretora executiva voluntária, Beatriz Haspo!

1) Acredito que um profissional tão consolidado e tão conhecido na área de preservação como o senhor não precise de apresentações, mas, por favor, fale um pouco sobre o senhor e sua trajetória a partir de sua própria perspectiva e experiência:

Minha trajetória é bastante diversificada, tendo começado com a formação em música clássica, passando depois pela formação como tradutora e intérprete simultânea de alemão-português-espanhol e, posteriormente, como conservadora-restauradora. Nesta última área, recebi inicialmente formação em encadernação e restauração de pinturas em tela, passando posteriormente para obras em papel, e culminando como gestora de acervos em uma das maiores instituições culturais do mundo, a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, onde trabalho há mais de 22 anos.

 

2) Como você definiria, em poucas palavras, o momento atual do setor de conservação na América Latina?

A preservação evoluiu nas últimas décadas, passando de uma área voltada exclusivamente para a restauração de uma obra para um campo mais abrangente e inclusivo, que prioriza a conservação preventiva, a gestão de riscos e a digitalização, entre outros aspectos, além de atuar em colaboração com outras áreas. Tudo isso contribuiu para que a preservação se tornasse um campo do conhecimento, com impacto concreto na identidade de cada país e região.

 

3) Vou fazer a você a mesma pergunta que fiz à Amparo, pois considero importante conhecer diferentes pontos de vista sobre o assunto: Qual era o seu objetivo quando você se juntou à Amparo e à APOYOnline há muito tempo? E como você avalia os mais de 30 anos de história da instituição? Você acha que sua trajetória na APOYOnline foi e é o que você desejava?

O objetivo do APOYOnline (anteriormente APOYO) era criar pontes de comunicação entre profissionais de língua portuguesa e espanhola, para que pudessem se conectar e receber informações técnicas em português e espanhol. Era, antes de tudo, um sonho, pois não havia nada sendo feito nesse sentido em nível regional. Trabalhamos passo a passo, ano após ano, com boletins informativos, traduções, capacitação e conectando pessoas. Para isso, contamos com a colaboração de centenas de voluntários ao longo de todos esses anos. Formamos uma imensa rede que hoje conta com mais de 6.000 membros de 31 países e que continua a crescer.

A APOYOnline vem se consolidando cada vez mais como uma rede de conexões, por meio da qual nossos membros se relacionam, recebem capacitação, descobrem novas possibilidades e continuam a evoluir em suas carreiras em nível regional. Nossas atividades transformaram vidas e contribuíram concretamente para a preservação do nosso patrimônio cultural na região. Somos uma verdadeira “incubadora” de talentos e de histórias maravilhosas de resiliência, colaboração e sucesso. Isso é muito gratificante e inspirador para que continuemos nosso trabalho. Nossa missão continua relevante.

 

4) Este mês é muito especial para a APOYOnline, pois lançamos o novo logotipo da nossa organização. Como você avalia essa mudança na identidade visual para o futuro da APOYOnline?

O novo logotipo é o resultado da evolução natural da nossa história, refletindo nossa visão de conectar, capacitar e transformar as pessoas. Esse processo ocorreu de forma muito natural, envolvendo dezenas de funcionários de três gerações diferentes, que fazem parte da equipe principal da APOYOnline. Foi um processo absolutamente inspirador e gratificante.

 

5) No seu doutorado, você está atualmente desenvolvendo uma pesquisa que aborda a atuação da APOYOnline na América Latina e, consequentemente, sua pesquisa trata da descolonialidade. Você entende as ações da APOYOnline nos últimos 30 anos como uma prática descolonial in situ?

As ações da APOYOnline são um exemplo prático de inclusão, diversidade e equidade desde nossas origens, quando esses termos nem sequer estavam em voga. Nossa estrutura é totalmente horizontal e participativa, na qual cada voz é importante e valorizada. E todas as nossas atividades sempre foram realizadas graças à participação da nossa comunidade, com as pessoas e para elas. Dessa forma, a APOYOnline está realmente a serviço da comunidade envolvida na preservação do patrimônio cultural.

 

6) Em seu artigo “Redes de compartilhamento, educação e preservação do patrimônio: 30 anos construindo pontes e abrindo caminhos de integração nas Américas”, publicado nos Cadernos de Sociomuseologia 2020, volume 60, você destaca a importância das redes de compartilhamento e como a APOYOnline tem realizado um excelente trabalho nesse sentido. Além disso, a educação patrimonial e museológica, também abordada em seu artigo, é um ponto-chave de atuação da APOYOnline. Quais são os planos futuros da APOYOnline para promover uma educação patrimonial que seja ainda mais inclusiva, equitativa e atenta às populações latino-americanas e dos Estados Unidos economicamente e socialmente vulneráveis?

A APOYOnline tem se empenhado em ouvir as necessidades dos profissionais da região. Como resultado, estamos realizando capacitações no formato de masterclass em áreas solicitadas, incluindo temas que não se limitam necessariamente à preservação, como liderança. Nossos treinamentos evoluíram para oferecer maior acessibilidade por meio do uso de tecnologias de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, estamos ampliando as traduções técnicas para levar informações essenciais sobre saúde e segurança à comunidade de preservação, como a tradução dos resultados do projeto REALM, que estudou a sobrevivência do coronavírus em materiais de bibliotecas, arquivos e museus. Nossa presença nas redes sociais cresceu significativamente nos últimos anos, com iniciativas como este “hangout”, que compartilha histórias diversas e inspiradoras.

 

7) Que mensagem você gostaria de deixar para os jovens que atuam na área de preservação?

Pessoalmente, acredito que todos podem preservar o patrimônio. Cada pessoa é um agente de preservação. E não importa se a ação é grande ou pequena: toda ação faz diferença. Dessa forma, acredito que a cultura da preservação, que está enraizada em cada um de nós, juntamente com nossa atitude, são os principais ingredientes para proteger e possibilitar o acesso às riquezas do nosso patrimônio cultural. Espero que os profissionais em início de carreira e aqueles que ainda não definiram suas carreiras, assim como todos que estão lendo esta entrevista, se juntem à APOYOnline para contribuir com suas ideias e também aproveitar nossa rede de contatos. Estamos esperando por vocês; contamos com vocês!

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